Exclusivo: especialista fala sobre fast fashion e moda brasileira

Enrico é professor da Universidade Católica do Sacro Coração, em Milão.

O lançamento do livro A Revolução do Fast Fashion: estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas, do pesquisador e consultor italiano Enrico Cietta, contou com uma palestra na tarde dessa terça-feira, 26 de outubro, em São Paulo. Enrico, que é familiarizado com o mercado de moda brasileiro e inclusive fala português, conversou com o MODASPOT sobre esse modelo de comércio e produção de moda que vem ganhando cada vez mais espaço.

“Fast fashion não tem a ver com preço, velocidade, rede, volume de vendas. É uma forma diferente de falar com o consumidor”, explica Enrico. Para ele, o consumidor é o ator principal. “As coleções são renovadas muito rapidamente e pelo desejo do consumidor. É ele quem faz a coleção, pois a oferta é feita de acordo com a demanda. Se um produto vende bastante, ele é reposto nas prateleiras. Se não vende, é substituído por outro. Se você não faz isso de acordo com as escolhas do consumidor, não é fast fashion, é somente fazer a vida comercial do produto mais breve. E isso pode ser muito perigoso”.

Para quem pensa que somente as grandes redes – como C&A, Zara, Riachuelo ou Renner – produzem fast fashion, ele explica que esse modelo já foi adotado por diversas pequenas empresas europeias e começa a despontar nas pequenas e médias marcas brasileiras. “É uma nova geração de empresas que vai utilizar esse esquema de maneira diferenciada, com preço e qualidade mais altos. Shoulder e Farm são marcas brasileiras que já seguem essa linha, oferecem produtos com informação de moda, que agradam os clientes, com um design especial e preços mais elevados que os das grandes redes”. Outra característica do fast fashion são os ciclos cada vez mais curtos, o que fez com que várias grifes produzissem coleções intermediárias de alto verão (resort) e prévia de inverno (pre-fall).

DIVULGAÇÃO
Enrico é professor da Universidade Católica do Sacro Coração, em Milão.

Uma grande discussão nesse meio são as cópias dos modelos de estilistas e grifes conceituadas. Nesse aspecto, Enrico diferencia o fast fashion do modelo de pronta entrega, no qual as empresas produzem grandes estoques de determinadas peças, como no caso do comércio no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. “O processo de pronta entrega não investe no design, reproduz os modelos que estão em voga. Nele, as empresas não são marcas. Já no fast fashion, investe-se muito em design, esse é o maior diferencial. A Zara, por exemplo, possui mais de 300 estilistas somente na Espanha. Não existem cópias, porém são oferecidas as tendências desejadas pelos consumidores”.

O fast fashion leva o design de grifes renomadas ao grande público, como no caso das parcerias que vêm acontecendo no Brasil (a exemplo da C&A e da Riachuelo). Longe de “roubar” os clientes das grifes, essas linhas exclusivas são benéficas para as duas empresas. “A coleção que Jimmy Choo fez para H&M não prejudica a grife, pelo contrário. O público-alvo da H&M é muito maior, já que os preços são bem mais baixos, e os consumidores são diferentes. É uma ação positiva para Jimmy Choo, pois serve como divulgação e deixa a marca mais próxima do público”, explica Enrico.

O livro A Revolução do Fast Fashion: estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas (2010) foi publicado pela editora Estação das Letras e Cores e já está disponível nas livrarias brasileiras. O preço sugerido é de 52 reais.

Outono/inverno 2010 da Zara.

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