Paulo Borges fala sobre moda sustentável no TEDx Amazônia

O fundador da São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, esteve no final de semana passado em um hotel flutuante no Rio Negro para participar do TEDxAmazônia, uma conferência que discutiu ideias sustentáveis para um mundo melhor. Em entrevista ao MODASPOT, ele afirmou que “o Brasil ainda vai demorar para se engajar no processo de moda sustentável”. A seguir, os melhores momentos do bate-papo.

Qual o caminho que a moda sustentável brasileira deve tomar?
Sustentabilidade na moda não se trata apenas de usar matéria-prima orgânica. A forma como as peças são produzidas também é uma questão importante. Por exemplo, a mão-de-obra não pode ser degradante. E os produtos precisam resgatar e difundir a diversidade da cultura brasileira. Nosso país é rico, mas pouco explorado. Precisamos resgatar os “Brasis” que estão muito distantes. Não falo de uma moda brasileira caricata, estereotipada ou folclórica. Mas temos que sustentar nossa cultura e memória para que ela não se perca.

O que fazer para que as pessoas consumam de forma consciente?
Precisamos passar por uma mudança de hábito profunda e intensa. O Brasil ainda vai demorar muito para se engajar nesse processo. Afinal, a sociedade brasileira sempre foi desprovida de consumo – situação que vem mudando recentemente. Milhões de pessoas ingressaram na classe média nos últimos anos e elas estão ávidas por comprar. Ou seja, ainda temos que passar pela fase do consumismo extremado.

O que é democratização da moda para você?
É a abrangência de informação e instrução. Democratizar é passar informação correta e dar às pessoas oportunidade de escolha. Se uma pessoa souber que uma camiseta de 30 reais é um item de moda tão legal quando uma de 3 mil reais, ela não vai comprar a mais barata com baixa auto-estima ou vergonha. E sim por opção, por vontade própria. A popularidade das fast fashion vem crescendo por aqui.

É sinal de que a moda ficará mais acessível?
Fast fashion é uma cilada. É colocar perfume em um vidrinho de veneno. Para mim, usar a criatividade do outro para fazer o seu negócio é criminoso. As lojas populares brasileiras como C&A, Riachuelo e Renner estão se customizando, ganhando inteligência e status. E elas permitem o acesso a muita gente. Então espero que elas não caiam nessa armadilha.

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