Pense Moda, dia 2

 

O luxo brasileiro está em plena expansão, mas cheio de dificuldades, tendo que rebolar para segurar o cliente no País e impedir que ele vá fazer suas compras no exterior. Este é, a grosso modo, um resumo do que foi debatido na palestra de abertura do segundo dia de Pense Moda. Na “mesa”, experts no assunto como Rosângela Lyra (Dior), Natalie Klein (NK Store) e Daniela Cecílio (Farfetch.com) trocaram experiências e dividiram seus “perrengues” na árdua luta contra a burocracia e a alta taxa de impostos brasileira.

O boom de grifes estrangeiras que vêm se instalando no Brasil deve ser visto com resguardo, pois não se trata de uma invasão desenfreada nem o prenúncio de um oba-oba do luxo ao alcance de todos. As marcas que aqui chegam vêm cautelosas, muitas vezes inseguras por conta do passado (-presente) instável e caótico do País. Ao mesmo tempo, somos a bola da vez e é inevitável para quem invadiu – literalmente — a Rússia, Índia e  China fazer parada no Brasil.

Natalie foi muito lúcida ao afirmar que o mercado do luxo brasileiro é composto, basicamente, por marcas estrangeiras, pois existem pouquíssimas grifes nacionais a merecer tal rótulo. E que ainda estamos na fase de transição entre o luxo show-off para o show-in, em que ostentar logos deixa de ser uma forma de inclusão.

A parte mais interessante da palestra foi a abordagem da convergência de lojas físicas com as virtuais, que deixou como feliz e unânime conclusão que ambas podem e devem caminhar de mãos dadas. Um aquecimento morno para a palestra de Susanne Tide-Frater, que viria a seguir.

A estrategista e consultora de moda apresentou seu trabalho feito com as lojas de departamento inglesas Selfridges e Harrods e, atualmente, com o portal de e-commerce Farfetch, além de parcerias com estilistas como Hussein Chalayan e Victoria Beckham. ”Sou uma médica de marcas”, definiu.

Usando vestido da grife de Victoria – o mesmo que Oprah Winfrey vestiu há poucos dias –, Susanne enfatizou a importância da identidade de uma marca. “Como fazer  uma pop star, casada com um jogador de futebol, ser reconhecida como uma estilista?”, disse, sobre seu trabalho com Victoria. Lembrou também suas dificuldades em implementar mudanças na imagem da Selfridges.

Na sequência, respondeu perguntas da editora de moda Jussara Romão. Entre elas, a de como um marca brasileira, com limitações financeiras, pode implementar a identidade de marca sobre a qual ouvimos ela falar. “Inovação”, respondeu Susanne. E o que a consultora espera de uma marca? “Personalidade e criatividade.”

Como já havia dito à Vogue, Susanne enfatizou a importância da internet para as marcas, que têm o desafio de proporcionar uma experiência para o consumidor por meio de seus sites. “Quem souber brincar com a rede, será muito bem sucedido.”

Da plateia, veio a pergunta sobre a entrada de Google no e-commerce, com seu Boutiques.com. Susanne respondeu que tem certo receio em relação a grandes corporações, mas quanto maior o número de iniciativas, melhor.

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