Pedro Lourenço desfila em São Paulo e anuncia parceria com a Daslu

Na mesma noite em que acontecia o último dia da Casa de Criadores, evento dedicado aos novos estilistas, Pedro Lourenço apresentou seu verão 2011 (já desfilado em Paris em outubro) na Daslu, em São Paulo. Apesar de ter só 20 anos, Pedro parece muito distante do universo dos novos criadores. Também pudera, o filho de Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho tem quase 10 anos de carreira – aos 12 criou sua primeira coleção, para a Carlota Joakina, segunda marca da mãe.

DIVULGAÇÃO
Pedro Lourenço no backstage do desfile realizado na Daslu. Pedro Lourenço no backstage do desfile realizado na Daslu.

Com confiança e postura de estilista maduro, Pedro recebeu a imprensa antes do desfile e contou que as peças mostradas na passarela, adaptadas da coleção original, poderão ser compradas na Daslu (ponto exclusivo de venda da marca no Brasil), mas num formato diferente: a cliente que gostar de alguma peça (o preço varia de 800 reais a 25 mil reais) precisará encomendá-la. “Minha marca entra no segmento do alto luxo, por isso não tenho condições de produzir muitas peças e deixá-las na arara”, conta ele, que entrega a roupa em três meses. “Alguns tecidos importados demoram 60 dias para chegarem”, explica. Apesar de parecerem de universos diferentes – as roupas de Pedro têm aspecto futurista, identidade digital, enquanto a multimarcas tem ares provincianos e clientes não exatamente ousadas – a parceria entre o estilista e a boutique continua em 2011. Em março, Pedro vai criar uma coleção para a Daslu, um pouco mais acessível.

Um (único) ponto de venda no Brasil – atualmente as peças de Pedro podem ser encontradas em Milão, Londres, Berlim, Las Vegas, Boston e Xangai – é parte da estratégia de consolidar a marca. A marca ou o nome? “O nome”, responde ele, que não descarta assumir o cargo de diretor criativo de alguma grife internacional. “Tudo é uma questão de contrato e proposta”. É por isso também que Pedro vai a Paris uma vez por mês, para manter sua rede de contatos na Europa, mediados pela sua assessoria de imprensa internacional, a KCD, cuja lista de clientes inclui as marcas Marc Jacobs e Alexander McQueen. Apesar de ter desfilado só duas coleções na semana de moda parisiense, seu nome não é desconhecido lá fora. Além das críticas positivas da imprensa estrangeira, o estilista já fez um estágio na Giambattista Valli e trabalhou no backstage de um desfile da Lanvin, a convite de Alber Elbaz, diretor criativo da grife, que na ocasião lançou um desafio: pediu que Pedro fizesse alguns croquis de biquínis e maiôs, pois queria conhecer a visão do estilista sobre esse aspecto tão brasileiro. “Ele gostou dos desenhos, acho que até guardou. Eu fiquei com umas cópias”, conta.

Por falar em designers internacionais, Pedro diz que a comparação do seu trabalho ao de Nicolas Ghesquière (da Balenciaga) tem uma explicação simples: “nós dois temos esse olhar futurista, mas representamos o agora, o momento atual. É a mesma coisa que aconteceu com Courrèges e Pierre Cardin nos anos 1960”.

Nas palavras – e nas mãos – de Pedro é possível perceber que trabalhar com moda para ele é natural. “Eu nunca entendi as outras crianças. Quando meus colegas falavam que queriam ser bombeiros eu pensava: ‘bombeiro? Eu não! Eu quero é ser estilista.” Ele conta que uma das suas primeiras lembranças de moda é aos cinco anos de idade, quando sentou no chão da fábrica onde os pais guardavam tecidos caríssimos e começou a cortar pedaços coloridos e juntá-los para ver como ficava.

A intimidade de quem cresceu no meio fica clara na passarela (veja as fotos na galeria). As peças de couro coloridas ou em dois tons, como as calças que tinham a parte de dentro branca e a de fora preta, os tules quase imperceptíveis que sustentavam algumas peças, os cortes afiados que permitem novos comportamentos de casacos e jaquetas, e os vestidos de tecido telado todo texturizado com pequenas fitas, arrancaram sorrisos quase incontroláveis dos pais orgulhosos e comentários empolgados da plateia: “você viu aquela jaqueta com recortes? E a calça de camurça? E o vestido furadinho?”.

Vestido da Coleçao do Estilista Pedro Lourenço

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