A democratização da moda no mundo virtual

As principais criações de moda das últimas décadas saíram da cabeça de um seleto grupo de estilistas. Só eles tinham acesso às passarelas, ao grande público e aos meios de transformar seus desenhos em produtos nas prateleiras de renomadas lojas ao redor do mundo. Opinar sobre esse trabalho também sempre foi uma tarefa igualmente restrita a nomes importantes como Anna Wintour, editora da Vogue americana – uma das poucas a ter real influência sobre as peças que são desfiladas nas semanas de moda.

Mas os tempos estão mudando e, agora, tem gente querendo mudar esse cenário e colocar a indústria ao alcance de todo mundo. Como? Com a ajuda da internet. Ela, que já trouxe mudanças para grande parte da economia, promete revolucionar os processos no mundo fashion também.

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Katie Eary usa peças da sua coleção feita em parceria com o site Catwalk Genius

A primeira transformação proposta é permitir que qualquer um participe do processo de produção têxtil. Não é preciso muito, apenas um bom croqui. Sites divulgam os desenhos e os internautas – tal qual a senhora Wintour – votam nos que mais gostaram. Os preferidos do público são confeccionados e vendidos online. Este processo é conhecido como crowdsourcing – ou seja, terceirizar uma função para indivíduos na internet.

Katie Eary usa peças da sua coleção feita em parceria com o site Catwalk Genius

Outra mudança que pode surgir é o modo como os estilistas recebem apoio financeiro. Em vez de serem bancados por grifes ou lojas, eles agora podem contar com pequenos investimentos de um grande número de pessoas – uma prática conhecida como crowdfunding.

O principal exemplo é o site Catwalk Genius, que publica fotos de peças-piloto pertencentes a novos designers e anuncia quanto será preciso angariar para que a coleção seja produzida. Quer vestir? Invista! A pinta é de figurão da moda, mas a verdade é que o dinheiro a ser aplicado na brincadeira é baixo, a partir de 11 libras (cerca de 30 reais). E, em troca, os clientes recebem parte dos lucros com as vendas das roupas. Até agora, eles tiveram apenas uma colaboração de sucesso com a estilista Katie Eary, de 25 anos, que juntou 5 mil libras e trouxe uma certa credibilidade ao site.

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Vestido da brasileira Fernanda Carneiro, à venda no FashionStake Vestido da brasileira Fernanda Carneiro, à venda no FashionStake

Já o FashionStake abre uma pré-venda das coleções de seus estilistas com preços até 60% mais baratos. Se as roupas atingirem um número suficiente de pedidos, elas entram em produção – tudo graças ao capital arrecadado. “Nossa missão é conectar designers e consumidores de uma forma que nunca foi feita antes”, conta Vivian Weng, criadora do FashionStake. “Vamos levar o poder de decisão para as massas, dar voz a elas. Elas determinarão o destino dos nossos produtos.” Entre os 21 estilistas participantes, está Fernanda Carneiro, brasileira radicada nos Estados Unidos, que tem uma coleção de 19 vestidos.

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