O que a moda anda fazendo com seus criadores?

Christophe Decarnin, Alexander McQueen e John Galliano

 

 

Em fevereiro de 2011, a morte de Alexander McQueen, que cometeu suicídio no início da temporada de inverno 2011 internacional, completava um ano e ainda chocava a moda, que lembrou a data com tristeza e homenagens. Mas, no mesmo mês, outro fato chocaria o métierfashion. John Galliano, então estilista da Dior – e responsável pelo renascimento da maison –, foi preso por ofensas antissemitas, fato que lhe rendeu a demissão do cargo em poucos dias. Exatamente uma semana depois, Christophe Decarnin, diretor criativo da Balmain e também creditado pelo seu ressurgimento, não compareceu ao desfile da marca francesa na semana de moda de Paris.

Os três acontecimentos têm algo em comum. Legistas confirmaram que uma quantidade significativa de cocaína estava entre as substâncias encontradas no corpo de McQueen. Após a demissão, John Galliano se internou numa clínica de reabilitação, para se tratar do vício em álcool e medicamentos. Já Decarnin estaria internado num hospital psiquiátrico desde de janeiro, depois de desaparecer um dia. Diante dos recentes fatos, a questão foi levantada: o que a moda anda fazendo com seus criadores?

Para Don Serratt, chefe executivo do Life Works, centro privado de tratamento no Reino Unido, “pessoas criativas são, por definição, indivíduos sensíveis. E isso faz com que eles sejam mais vulneráveis às críticas. Acredito que a dor para eles é mais intensa, por isso, eles se medicam”. A entrevista foi dada ao WWD, que publicou uma extensa reportagem sobre o assunto em recente edição.

Mas há quem discorde. “Eu vejo a criação e a administração de uma empresa como uma atividade atlética de alta intensidade. Se você é muito frágil para correr, você simplesmente não corre. Eu acredito em disciplina, então não sou a pessoa certa para choramingar sobre fraquezas ou coisas do tipo. Mas talvez eu não seja humano”, endureceu Karl Lagerfeld.

Marc Jacobs, que já teve sua passagem por clínicas de reabilitação, concorda que a culpa não é da indústria. “Você não acha que banqueiros ou pessoas do subúrbio têm problemas? Apontar culpados é uma perda de tempo”, acredita. Robert Duffy, sócio e amigo de MJ, questiona a afirmação de que os conglomerados de luxo seriam indiferentes aos problemas enfrentados pelos seus designers, lembrando que o grupo LVMH lhe deu total apoio para ajudar Marc Jacobs. “Na época, Bernard Arnault me disse: ‘Robert, faça o que for preciso para que ele fique bem’”.

Vanessa Denza, dona de uma agência de recrutamento de profissionais de moda londrina, acredita que as empresas precisam cuidar melhor dos seus criadores e faz um paralelo entre McQueen e Galliano. “Ambos precisavam de um tempo, uma chance de desacelerar por alguns meses, mas a natureza desse negócio é frenética e não permite que eles façam isso”.

 

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